sábado, 28 de abril de 2018

Ansiedade

No antecipado do tempo vou engolindo sem mastigar o sentimento 

Não é aquele que antevi e sim um outro amargo, mal cozido

A vontade do "ter" salta os olhos infantis, faz o estrago na festa 

O desembrulhar dos presentes é algo desconexo e brutal


Pura ansiedade 


O imaginar do beijo que nem o outro adivinharia com tamanha rapidez

A palavra que sai tal touro na arena, mordida em desalinho, doida a correr

O carinho que de suave não se controla e pula nas mãos como cavalo bravo

O olhar de tão desejoso cospe inveja e destila um ódio não compreendido


Pura ansiedade 


A cachaça empurrada garganta a dentro, rascante desejo de se embriagar com o ar

A fome sem testemunho do sabor engole alimento como um cão de rua, atrevido

O desejo de desejar mais e mais o que nunca-visto foi e sem saber o que será 

Olho grande e comprido, devorando o tempo, derrubando prazeres reais 


Pura ansiedade 


Queria escrever mais, mas, por pura ansiedade , fui na página devorado.

Enviado do meu iPad

sexta-feira, 9 de março de 2018

Abismo

Abismo

Hoje temos uma 3a barreira social que apareceu com as novas tecnologias : antes tínhamos o dinheiro e o poder, que costumam andar juntos, agora apareceu a nova barreira , ainda sem nome , que é o domínio das tecnologias modernas. Vamos pensar juntos , na idade média um homem tinha dinheiro e possuía terras e animais , uma boa casa ... O pobre tinha um pedaço de terra para trabalhar, um cavalo velho e um casebre. Esse mesmo cidadão, nos dias de hoje , teria ( o rico ) , casas, fazendas, carros e aviões  + & , o pobre não tem casa nem terra, anda a pé ou de ônibus e - & . O " & " é o 3o poder e significa você saber " pilotar " as novas máquinas de acesso às informações digitais e, tê-las ! Isso faz uma diferença enorme ! E essa população privilegiada está acima dos outros mortais e vai aumentar essa distância. O " & " é um poder a mais que faz a diferença e impulsiona a diferença social, quanto mais você tenta chegar nele mais ele corre, uma luta sem fim que só os jovens podem ganhar; o mais triste é o " abismo " social que " & " constrói, o pobre não tem chance de vencer, a classe média pouca chance, um rico tem, um novo poder da tecnologia nas mãos de poucos, isso gera ódio social e desatabiliza o mundo.
 As eleições serão ganhas para manter o " & " cada vez mais vivo, a democracia será uma mera ilusão ( se já não é ) e a ditatura da tecnologia já chegou, fiquemos atentos.

terça-feira, 6 de março de 2018

Um passo na engenharia

Uma pequena história da evolução da engenharia: nos anos 70 as obras exigiam que a desforma dos painéis das formas fossem com 28 dias, a antiga João fortes engenharia construía prédios com muita rapidez e usava até 10 jogos de formas ! Uma pequena floresta por obra ! O meu pai resolveu estudar o assunto e desenhou um sistema de lajes que permitia a desforma parcial com 24 horas após a concretagem! Eu , ainda estudando engenharia, fiquei assustado e ele me disse " vou te levar para o melhor calculista do Brasil! " , assim eu entrei pela primeira vez na Projectum engenharia, onde meu professor (José Carlos sussekind) trabalhava . Lá chegando fomos recebidos por uma gentil e magra criatura que era o tal " melhor " , sua estante era plena de livros, ele com muita calma ouviu os " delírios " do meu pai e disse " caro Solano, a ideia é viável, não tem como calcular e sim executar , pode dar certo..." Amigos , o " pode dar certo " para um homem além do seu tempo e vindo do seu guru era uma afirmação positiva. A antiga Gomes de Almeida Fernandes, atual Gafisa, era cliente do José Solano que propôs redução de jogos de formas e a desforma com 24 horas. O diretor levou a proposta para o dono da empresa que, acreditava na genialidade de meu pai , e topou! A condição era que a engenharia fosse presente na obra em todos os passos e ficassem embaixo da laje quando a operação de desforma acontecer; isto foi feito e eu fui o escolhido para ser a testemunha da façanha! Deu tudo certo e executamos mais de 4 milhões de m2 com o sistema. Meu pai era um sujeito genial e o seu melhor calculista era Carlos Alberto Fragelli, do qual fiz uma eterna e grata amizade. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Nuvens





Um dia quis ver por cima das nuvens

Subi ao maior monte que a vista encontrou

Queria conversar com Deus e ouvir a solidão 

Vi o céu sobre as nuvens,ainda azul claro

Sentei na pedra e esperei uma voz ...

Não estava sozinho, havia um vento frio

Ele me disse: " desça e construa sua paz "

Voltei leve com um punhado de nuvens

No bolso

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Irresistível





Hoje acordei de mau humor, a mulher com dor de cabeça disse: " vai no supermercado por mim, não estou bem...", ordens são ordens! Coloquei a primeira camisa ( já usada no dia anterior ), uma bermuda ( calor ) e segui para meus afazeres domésticos. O mercado estava cheio de velhos nesse horário, fiz as compras e voltei pelo elevador... Até aí tudo tranquilo, até que a ascensorista me alertou " chega mais pra cá, tem espaço ", eu ajeitei o carrinho e fiquei espremido na parede ao lado dela, entrou mais um carrinho de compras, a porta se fechou e o diálogo foi esse:

Eu- Sempre cabe mais um quando se usa Rexona!

As pessoas se entre olharam e não acharam graça...

Eu- Embora eu não esteja usando hoje...

Ascensorista- Se o senhor estivesse usando estaria irresistível!

Alô??? Será que ela falou isso pra me elogiar ou foi um comentário " higiênico " ?

O pessoal deu uma risada da minha cara de espanto e saí do supermercado com uma terrível dúvida: sou bonito ou fedido? Vou voltar lá pra tirar isso a limpo ( limpo ou sujo? ).

Ficar velho e inconveniente é PHODDA ! 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O infinito da luz celeste

Foto de Celina Muniz


Ali, no distante horizonte o mar recebe uma visita, a areia lhe abraça tão carinhosamente que há uma testemunha , muda e calada se espelha no para sempre infinito da luz celeste.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A cor do perdão ( em homenagem ao Fagner)

Não sei a cor do perdão nem o peso da pedra do sacrifício 

Não sei a dor do parto nem o calor das paredes do inferno 

Não sei o sabor da mentira nem a textura da verdade absoluta 

Só sei que nada sei 

Não sei se o azul do céu é mais profundo que o do mar

Não sei se o espinho da rosa fere mais que a palavra não 

Não sei se o calor humano consegue aquecer o frio do perdão 

Só sei que nada sei