segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Nuvens





Um dia quis ver por cima das nuvens

Subi ao maior monte que a vista encontrou

Queria conversar com Deus e ouvir a solidão 

Vi o céu sobre as nuvens,ainda azul claro

Sentei na pedra e esperei uma voz ...

Não estava sozinho, havia um vento frio

Ele me disse: " desça e construa sua paz "

Voltei leve com um punhado de nuvens

No bolso

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Irresistível





Hoje acordei de mau humor, a mulher com dor de cabeça disse: " vai no supermercado por mim, não estou bem...", ordens são ordens! Coloquei a primeira camisa ( já usada no dia anterior ), uma bermuda ( calor ) e segui para meus afazeres domésticos. O mercado estava cheio de velhos nesse horário, fiz as compras e voltei pelo elevador... Até aí tudo tranquilo, até que a ascensorista me alertou " chega mais pra cá, tem espaço ", eu ajeitei o carrinho e fiquei espremido na parede ao lado dela, entrou mais um carrinho de compras, a porta se fechou e o diálogo foi esse:

Eu- Sempre cabe mais um quando se usa Rexona!

As pessoas se entre olharam e não acharam graça...

Eu- Embora eu não esteja usando hoje...

Ascensorista- Se o senhor estivesse usando estaria irresistível!

Alô??? Será que ela falou isso pra me elogiar ou foi um comentário " higiênico " ?

O pessoal deu uma risada da minha cara de espanto e saí do supermercado com uma terrível dúvida: sou bonito ou fedido? Vou voltar lá pra tirar isso a limpo ( limpo ou sujo? ).

Ficar velho e inconveniente é PHODDA ! 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O infinito da luz celeste

Foto de Celina Muniz


Ali, no distante horizonte o mar recebe uma visita, a areia lhe abraça tão carinhosamente que há uma testemunha , muda e calada se espelha no para sempre infinito da luz celeste.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A cor do perdão ( em homenagem ao Fagner)

Não sei a cor do perdão nem o peso da pedra do sacrifício 

Não sei a dor do parto nem o calor das paredes do inferno 

Não sei o sabor da mentira nem a textura da verdade absoluta 

Só sei que nada sei 

Não sei se o azul do céu é mais profundo que o do mar

Não sei se o espinho da rosa fere mais que a palavra não 

Não sei se o calor humano consegue aquecer o frio do perdão 

Só sei que nada sei 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Uma colcha de retalhos

Uma colcha de retalhos

Sabem aquelas colchas que a vovó fazia? Vi uma, com a minha mulher, na linda cidade de Tiradentes. Amor à primeira vista! Preço bom, compra feita e alegria estampada nos olhos da patroa. Uma semana depois já estávamos desfrutando do acolhedor conforto que aquele objeto do desejo nos proporcionava: maciez, beleza e calor... Delícia! O que incomodava eram os mosquitos, a minha mulher reclamava, enfim o verão já batia à nossa porta. Muito bem, depois de algumas tentativas de matar os mosquitos com aquelas raquetes chinesas eu joguei a toalha, “não é possível, você está toda mordida e se coçando, vou usar um spray de dedetização, vai matar os pernilongos”, disse todo feliz! A mulher só faltou me expulsar de casa com o discurso que ela era alérgica e eu cego! Fim do primeiro ato.

Os dias se passaram e a mulher já estava irritada com as picadas, eu sugeri lavar a colcha nova, podia ser alergia ou ácaros. Lavagem feita e coceiras aumentando... Um dia a minha mulher viu um bichinho checando seu whatzapp, eu verifiquei com minha super lente de aumento ( nunca usei, made in china ) e o vi; corri, peguei a máquina de fotografias e uma lanterna, fiz um “selfie” do cidadão. Meus amigos, o bichinho era menor que a cabeça de um alfinete, achatado, marrom, corria bem, um danadinho. Viva o “papai Google!”, lá estava o tal elemento invisível: Bed-Bug, conhecem? Os americanos sabem o que ele é, um hospedeiro da sua cama, suga se sangue à noite, e tira a sua alegria de viver. Minha mulher já estava com 200 pontos de mordidas pequenas e outros 200 já inflamados. O dermatologista consultado passou uma bateria de medicações que, com certeza, iria matar o bicho e a minha mulher de brinde! PQP! Fomos ao clínico que não sabia o que era e consultou papai Google again! O bicho não transmitia doenças e o jeito era dedetizar a casa. Fim do segundo ato.


A dedetização foi feita com seu custo: hotel por dois dias, compra de vários colchões e um psiquiatra para uma terapia de casal! Colcha de retalhos nunca mais! Estou tão traumatizado que ao checar meu celular começo a me coçar... Hoje entendo o sofrimento dos cachorros sarnentos... Tadinhos...

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Copacabana sem Drummond



A manhã traz um sol tímido 
Copacabana está calada por um momento 

Uma poesia se transforma em luz

O sol aparece tão triste que ele chora 
Suas lágrimas de bronze talhadas 
Sua infinita eternidade reduzida em estátua 
Sua Copacabana tem um minuto de silêncio 

Drummond, querido, renasces sob céu multicor
Mais um dia para viver sem ti
Mais um dia tua Copacabana vai chorar 
A tua falta

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O silêncio e a alma

O silêncio é companheiro da alma 
O corpo fala muito e sofre gemendo
O silêncio faz da calma sua aliada 
Medita 

O corpo tem coração e ama muito 
O amor prefere a alma , ela se cala
Em silêncio fica admirando o corpo 
Geme

Em todos os sofrimentos há o silêncio 
Nas paixões a poesia cala a voz, sonha
Na verdadeira união a alma fala em silêncio 
Olha

Olha,geme e medita