sábado, 17 de junho de 2017

Ritinha ou Jeiza?


Ritinha ou Jeiza ?

Com a cabeça cheia de problemas e vendo o jornal nacional que só traz desgraças eu desaguo na novela pra ver Ritinha... Já que não posso tê-la me coloco no lugar do rapaz bonitão (Zeca) que tem um baita problema pra resolver: Ritinha ou Jeiza? E já fico achando os meus problemas uma bobagem diante dos dele... Égua! Eu com minhas broncas e ele nesse dilema amoroso terrível! Já pensou meu caro amigo, tu moras em Parazinho (não é nenhum paraíso não), tens um caminhão e uma sereia, sim! Uma sereia que nada de frente, nada de costas, se enrosca com os botos e outras travessuras mais, e é linda! Uma beleza espontânea de gente do interior, gosta da vida simples e tem uma curiosidade maior que o rabo (da sereia); essa moça te mete uma galha e casa com um “mauricinho” da cidade grande, foge no dia do casório e você fica chorando teu chifre dentro do caminhão atolado... Que merda né? Mas Deus é grande! Você vem pra cidade e se ajeita com a Jeiza, pense em uma mulher bonita e gostosa, pensou? Então repense a maravilha dando porrada em todo mundo e ainda sendo PM, com um cachorro babão do lado dela, mais braba que uma capota choca, um siri na lata!

 Agora vem o pior: a tal Ritinha vai dar um pé na bunda do marido e vai querer de volta o para-choque do caminhão (bem mais duro e eficiente) do Zeca, e o nosso herói está amarrado na policial, você ficaria com quem? Na cama eu imagino a sereia dando suas rabanadas e a policial te aplicando uma chave de P... (quase falei), qual das duas você escolhe? Na rua eu sou mais a Jeiza, se um malandro mexer com ela você diz pra ele, todo empinado, “Tu vais levar muita bordoada!”, e o negão levanta a mão pra matar a mosca (você) e, nessa hora, Jeiza entra em ação aplicando um Arm-lock voador no monstro! Que delícia de cena... Já com a Ritinha tu vais ficar calado e enfiar teu rabo entra as pernas pra não dançar o carimbó na frente de todo mundo, que vergonha... E aí, vais escolher quem? A Jeiza não vai te chifrar, a Ritinha vai; a Jeiza te protege, a Ritinha não; a Jeiza é muito mais imponente, a Ritinha mais alegre, etc... Pense, pense, pense muito... E escolha a que tiver o rabo mais bonito! Vamos esperar pra quando a novela mostrar mais detalhes desse atributo, até lá se contente em ver a novela de Temer no poder, essa vai durar muito mais! Bem que a Marcela temer podia fazer uma pontinha na novela...

terça-feira, 16 de maio de 2017

O pré-idoso



O pré-idoso

 O pré-adolescente todos conhecem e reconhecem! São difíceis por natureza hormonal, incomodam os que convivem com eles: isolam-se, agridem quando querem, sonham com o futuro incerto, não reconhecem os valores da vida social, se masturbam para descobrir a sexualidade e avançam para o pior: a adolescência. Aí o bicho pega de vez o nariz cresce mais que os rostos, espinhas vão assombrar os dermatologistas mais experientes, o primeiro beijo roubado, a primeira decepção amorosa, ídolos muitos e definitivos, pizzas, cachorro quente, mostarda e ketchup, etc...
 O pré-idoso eu estou começando a conhecer agora, é aquele bonitão com seus 60 e poucos anos, que com muito esforço vai “adolescer” com 70 e poucos. São difíceis por natureza mesmo, ainda se acham jovens e competentes, mas o espelho incomoda muito, pelas rugas e “elefantíase”, quando tudo cresce pra baixo (nariz, orelhas, barriga e o pinto); não se isolam! Pelo contrário querem aparecer, um topete novo, uma pintura no cabelo, um rolex no pulso e um carrão na garagem, eles sonham... O futuro é certo: aposentadoria! Aí o bicho pega, ele faz conta e chora, vê que vai ficar fudido antes dos 70 anos, lê os jornais e se desespera... Reconhecem os valores sociais e sofrem de inveja crônica, “aquele babacão do colégio está podre de rico, como pode? Ele sempre ficava na segunda época”, “boca de caçapa era feio pra caralho e casou com a gostosa da Patrícia”, e por aí vai. Não se masturbam mais, só com uma azulzinha é que o “Pedrão” acorda, Pedrão hoje está um samba acabado, diminuiu e ficou tímido, um nerd! Só quer ver besteira no computador e dorme que é uma beleza! O seu colega de junto o famoso “duas bolas” cresceu muito, doe ao sentar na cadeira dura do metrô, na calça jeans nem pensar! Beijo roubado nunca mais! A carteira sim! Essa tem que ser carregada na frente, junto do Pedrinho, com todo o cuidado pra não sair de lá. Decepção amorosa não comentamos, só a decepção com a parceira botocada, cheia de silicones e gastando mais em cremes do que você em whisque 18 anos (ela queria ter), uma tristeza... Pizza, cachorro quente, etc, pode esquecer! Caganeira na certa! Uma fugida para tomar uma casquinha de sorvete no shopping até pode, sem ninguém ver, certo? Essa é a vida do pré-idoso, um sujeito que se acha o Fodão e mal dá uma fodinha, um ridículo, tal qual o pré-adolescente, quase um idoso... Depois escrevo sobre o pré-defunto, se eu chegar lá!


 Fui...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Para as mães

Por vezes sonho com ela 
Já se foi para virar anjo
Por vezes acordo na noite
Já sentindo seu olhar protetor 

Uns dias são tão normais 
Outros tão diferentes e choro
Nas lágrimas ela traz o sabor doce
No doce da saudade a saudade de seu doce 

Mãe que virou anjo e protege 
Abençoe as que por aqui estão 
Faça seus filhos dizerem perdão 
E desse perdão colha o amor 

Amor de filho não chega aos pés
Do amor maior , amor de mãe 
Um filho pode até virar santo 
Mas, anjo, anjo mesmo só sendo mãe

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sofro pelo Rio de Janeiro

Sofro por morar no Rio
Sofro de amores por ele
E, também, por dissabores..

Sofro ao ver o homem olhando o mar
Vejo tristeza nos olhos do possível desempregado
Vejo também o sofrimento eterno dos picolés
Carregados nos braços dos que sobrevivem

A tristeza me invade ao ver tanto verde e,
lá, do ladinho, as casas dos que foram excluídos
No telhado um gato preto, no chão cachorro magro
O Rio que era feliz e ataulfamente falando não sabia

Vejo sangue nas ruas que eram brindadas em sambas
Vejo a mulata grávida do namorado sem esperança
Penso no que vejo e vejo no que penso
Desilusão

Danço eu, dança você a dança da solidão...
Solidão de ser abandonado pela cidade corroída
Solidão de ficar em casa, com medo de respirar na tv
A morte nossa de cada dia

terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando chega o mês de maio



Quando chega o mês de maio me apaixono
Uma paixão sem explicação...
Será porque é o mais feminino do ano ?
Será porque é o que beija todas as mães?
Ou será pela beleza celeste das noivas ?

Não sei, só sei que o céu fica mais azul claro 
Que a brisa da manhã invade minha janela 
Ar frio de preguiças mil, dá vontade de ficar
Ficar na cama, amar os livros, sonhar acordado 

Não sei se esse amor trará frutos 
Como um caqui vermelho que nos brinda
Não sei se esse amor me trairá como outros 
Tomo um vinho tinto e penso

Mês mulher, mês amor, venha aplacar meu coração!
Coração sofrido de amores queimados no verão, aguados no Jobim de março e constatado mentira no duro Abril 

Venha senhora de tantos carinhos e ternura 
Venha ser a rainha da minha esperança 
Venha floridamente, francesamente mulher
Brincar de amor comigo 

Merci

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dia das mães



Está chegando o dia das mães, quem ainda as tiver faça uso ! Beije muito e chore se puder, agradeça a Deus por tê-la do seu lado, mesmo de longe ela tem esse poder! Seja um bom filho e , no seu abraço infindo, lembre-se dos que não podem mais fazê-lo..

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Carioca sofrido



Quando seus passos são apressados
Quando seu olhar circula como um farol
Quando seu coração pulsa no peito pequeno 
Quando a respiração não te satisfaz 

Você está andando no Rio de Janeiro 

Atras de ti há uma sombra e um medo
Atras do muro um ser oculto, outro lá 
Atras do outro lá tem mais um outro
Atras do poste, na esquina, é o teu pavor

Você está andando no Rio de Janeiro 

Na tua frente o mar, o sol brilha e reflete 
Na tua frente passa a morena distraída 
Na tua frente um sinal, um menino descalço 
Na tua frente vidro, do lado vidro, uma moto

Você está dirigindo no Rio de Janeiro 
Um barulho, um estampido, um tiro !
Você ainda está vivo no Rio de Janeiro 
Um desespero, um calafrio, uma alegria 

Dessa vez não foi você, carioca sofrido 

Do Rio de Janeiro...


Foto de Vitor Marigo

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O momento é grave



 Estamos diante de um momento de extrema gravidade político-social no Brasil, estamos nos acostumando a ver notícias ruins, a insegurança é enorme, a crise financeira está doendo muito e o País entrou na sala de cirurgia. A situação está sem uma solução feliz à vista, o doente (já debilitado) vai tentar estripar seu tumor que se espalhou por vários órgãos, cirurgia difícil e, sobretudo, demorada, está tudo dominado pela corrupção endêmica. O que será do povo, que depende do Brasil vivo para sobreviver? Deixá-lo morrer? Renascer com outro nome e ideias? Uma nova classe ordeira vai tomar as rédeas desse cavalo doido? Estamos paralisados e à porta do desconhecido. A lei se faz atuante e quer respostas, haverá punição? O jogo da corrupção vem de muito tempo a trás, talvez do império, será que vão mudar a regra? É como pegar a seleção de futebol e colocar para disputar o mundial de vôlei... Não há Bernardinho que resolva...

Estamos, sem querer acreditar nessa realidade, tristes ou anestesiados, não temos heróis! O pior dos mundos é não ter em quem acreditar e não ter fé no dia de amanhã, e esse dia não chega. Esqueçam os heróis falidos do passado, os sapos barbudos, os de saco roxo, e não apostem nos malucos de hoje que falam grosso com discurso de mágicas com armas nas mãos, a democracia ainda é o mal menor. Cadê os jovens? Os universitários? Suas ideias e vontade de mudança? A internet nivelou o mundo por baixo, tudo é rápido e o prazer digital (de digitar na telinha) engole o idealismo, os sonhos de um futuro melhor, a máquina paralisa o homem.

 Vamos legalizar a putaria? Deixar de sermos idiotas? Que tal definir a propina como algo correto? A tabela sairia no diário oficial! A gorjeta, a cervejinha do guarda, a comissão da obra, da indicação, do prestador de serviço, etc... Tudo bem resolvido e às claras, na bandeira estamparia “propina e progresso”!

Pensem nisso, não temos saída com essa passividade do povo, tudo anda como se o Sol brilhasse todos os dias, até tropeçarmos em cadáveres nas ruas.



terça-feira, 11 de abril de 2017

Os 10 mandamentos do sucesso



Os 10 mandamentos do sucesso

- 1o) O homem é um predador do homem, procure ficar no topo da cadeia alimentícia.

- 2o) Não existe " almoço grátis " , não acredite em socialismo e distribuição de renda, caridade não gera progresso.

- 3o) Oportunidade passa à cavalo, não deixe de decidir nunca ! Seja rápido e aproveite as chances que aparecerem.

- 4o) Estude, aprenda com os outro, observe as mudanças, seja humilde para crescer mais.

- 5o) Respeite o próximo, atue com ética e entenda o valor das leis e das civilizações que prosperaram.

- 6o) Tenha paciência e " faça como um velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar ", tudo tem seu tempo.

-7o) Dinheiro não é tudo , mas é 100%

-8o) Não desista na 1a vez, tente mais uma, na 3a desista!

-9o) Sempre que encontrar uma pessoa genial acredite que haverá outra mais ainda, então não endeuse demais seus ídolos, desconfie dos dogmas.

-10o ) Procure ser sempre uma metamorfose ambulante, ouça mais Raul Seixas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A idade do lucro

A idade do lucro

A vida corre e muitos não contabilizam os ganhos, a juventude é um vendaval e não temos tempo para nada, ao amadurecer chegam os pensamentos mais racionais e começam as cobranças, até a idade do lucro. Essa idade ocorre após os 60 anos, é uma idade mental, pode ser um pouco antes ou depois desse marco 60. Como em uma cidade de fronteira, do alto da colina você vê o seu passado e virando a cabeça você verá do outro lado da fronteira-vida uma enorme floresta a desbravar, tenha coragem, pois nada é fácil daqui pra frente, leve sua mochila cheia de experiências e sabedorias e comece a gastá-las logo, sem pena.

Voltando aos lucros, seguem os que contabilizo:

- Pais vivos,
- Filhos criados,
- Filhos independentes,
- Saúde plena,
- Família unida,
- Reserva financeira,
- Trabalho prazeroso,
- Casa própria,
- Mulher parceira,
- Tesão pela vida,

 Então, qualquer item acima existente é sinal de lucro, no caso de TODOS os itens contemplados você é um verdadeiro CAGÃO! Um sujeito de sorte absoluta, meus parabéns!

Uma observação importante: se você ainda tem TESÃO PELA VIDA pode, a qualquer tempo, só contabilizar esse item (os outros serão superados) e tocar seu barco em frente, caso contrário aproveite os outros lucros com muito cuidado, pois eles são passíveis de mudança!

Boa sorte leitor, e se tiver muita sorte escreva sua lista para quando completar seus 70 aninhos de vida, não esqueça de me enviar, certo?


quarta-feira, 8 de março de 2017

Como matar a sua " Suegra "



Como matar a sua “ Suegra “

A crise chegou feia, a sogra é rica, o tempo que sobra para pensar (e escrever besteiras) é grande, conclusão: chamei meu amigo “Nelsito” e programamos um plano diabólico de matar a sogra sem deixar rastros e ficar com o patrimônio da velha! E ainda estaríamos beneficiando a outra vítima (genro) que declinou do convite: o cidadão é muito ocupado e tem um medo danado de ser preso (embora o filho seja Juiz!), acho que ele vai se dar bem, pois se livra “dela” e vai ficar com o dindin enquanto nosoutros , os“heróis” , apodreceremos na cadeia... Xô pensamento negativo, xô !!!!
Voltemos ao plano: convidar a dita cuja para passear em terras portenhas. A ideia é magnífica, pois as vertentes criminosas por lá são de fácil acesso, a lei branda e os Hermanos ajudam a matar brasileiros(a), sigam o raciocínio (sabendo que a candidata sofre de labirintite crônica):

- Alimentação: papas fritas com bife de chorizo podem dar uma bela congestão;

- Bebidas: um bom vinho malbec vai ajudar no item acima;

- Tango: ela adora dançar, então uma boa dança, bem rodada, após o uso dos 2 itens acima me parece infalível!

Caso não dê certo o plano seguiria (um pouco mais caro) para Bariloche:

- Passeio na beira do lago gelado: dizem os locais que basta 5 minutos para uma hipotermia definitiva e salvadora (da gente é claro) e que as pedras das praias são escorregadias, uma queda no lago é uma maneira simples e agradável de se livrar das velhas por lá;

- Passeio nas florestas: convida a mocinha para brincar de chapeuzinho vermelho e conhecer o tenro cabritinho montanhês(cordeiro patagônico ), deixa a linda por lá esperando o Lobo mal, romântico até;

- Passeio nos montes: São os “cerros” e têm vários! Com uma boa gorjeta você suborna o “Hermano” para deixar a porta aberta, o cinto frouxo, um empurrãozinho básico e... Tudo resolvido!

Obs: Nesse quesito tenho a acrescentar a nossa aventura ao “Cerro Otto”, onde descobri o nome “ Otto “ vem de Otário mesmo! A desgraça custa caro e lá em riba tem um restaurante giratório, que maravilha! Assim fizemos a nossa última tentativa de fazê-la sucumbir em terras alheias... Não deu muito certo, pois o meu companheiro (Nelsito) também passou mal e ficou abestalhado chamando “ Joel “ e deitado em uma poltrona, estatelado! A família toda passou mal... Eu, que não sou besta, não montei naquela vitrola matadora, porém fiquei sem realizar meu plano.

- Aeroporto: sim esse foi o último recurso! Fizemos uma agradável viagem de 48 horas de escalas múltiplas pela adorável Latam (Lata de M, ou de mierda mesmo) e a vítima quase se foi de secura (ela não bebe agua pra não fazer pipi) e fome (não come para não fazer pôpô), não dei certo, pero posso dizer ainda! As últimas notícias são alvissareiras e dizem que ela já se recuperou dos problemas gastrointestinais e quer viajar novamente, só que agora, vai querer ver as geleiras na terra do fogo! Vai dar certo! Um empurrãozinho bem dado e...


Beijo na SUEGRA, do fundo de mio corazõn !

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Um lindo dia de sol

Um lindo dia de Sol

O sol, descaradamente, invade minha varanda
Manhã de verão, sem brisa, emana a imensidão
Imensidão que vem do céu azul teimoso
Teimoso de ser tão azul, de ser tão verão

O convite vem dos passarinhos, da rua ainda vazia
Venha me desfrutar, venha sentir meu abraço amigo
Venha se derreter em minha saliva branca
Era o mar, descaradamente, me convidando

Fui impelido, vou tomar uma decisão: virar verão!
Soltei-me das minhas amarras, meus compromissos
Libertei-me das roupas, do peso da consciência, e
Dei-me de presente esse dia, sandálias no pé, carioca no coração

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O erro maior

O maior erro é a falta de entendimento, não aceitar o novo , duvidar da sabedoria do velho . Poucos ouvem as palavras, outros distorcem , e o silêncio se faz presente; mudo e calado estamos num mundo de egoísmos, sem saída vamos ficando mais ignorantes , assim sozinha e triste essa nova geração vai caminhando para a solidão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Amor feroz




Arrancou-me as roupas, arrancou-me o coração
Tirou-me o ar e trocou o meu avesso
Inverteu os valores que tinha
Tudo pelo amor prometido

Meu mundo virou, meus olhos cegaram
Minhas escolhas, meus desejos sumiram
Homem farol alto que me encandeou
Homem de minha vida

Ávido por carnes, louco em palavras
Carente como menino, brincou comigo
Brigou comigo, arrancou meu coração
Desfez-me como uma rosa ao vento

Amor feroz, morde a alma de mulher
Fez promessas, trouxe ódio
Da febre fez o calafrio contínuo
De um amor feroz agora esquecido

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Texto fantástico


A Velha Amiga (Raquel de Queiroz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudade de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro.
Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim presença atual.
Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.
A vida é uma coisa que tem de passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude.
Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?
Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.
E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.
Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade - mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais.
Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e, por isso mesmo, dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo - e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que um grama; e por essas medida, pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.
Não sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade a que chegamos, você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos.
A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Ai, um um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.
E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos.
Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.
(Crônica publicada no jornal "O Estado de São Paulo" - 13/01/2001)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A ilha






 Aqui,e só, só penso na ilha tão só

   Nasceu só e vive sem outra alegria

      A única alegria é a carícia do mar

        O calor do Sol e o frio da Lua

         Um barco aparece no horizonte, uma esperança

      Os barcos são assim, amores vagos e platônicos

     Passam como o vento da tarde, rápidos, afoitos

 São tão afoitos que na areia se lançam...



 Sou ilha só, sem areia, sem praia, única

 Aqui me posto em frente ao horizonte só

 Só e só para atrapalhar a vista de quem é só

 E por ser só procura o mar para esquecer

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Estou vivendo mais um dia ou adiando minha morte ?



Sentado na clínica médica vem o pensamento lógico
Estou vivendo ou adiando, dia após dia, a minha morte?
Será esse o primeiro ano do resto da minha vida?
Ou matei ontem mais um dia, aumentando minha coleção?

Que barreira faz essa diferença no pensamento?
O otimista dirá que você criou esse muro imaginário
O pessimista afirma que sempre existiu o fim e chegará
Eu diria que essa linha se escreve com a dor de viver

Fácil ser feliz no corpo saudável, alegre e viver sem medo
Difícil é respirar o oxigênio de um breve segundo, sorver esperança
O que será o viver? Uma luta diária para estar vivo? Uma força?

Ou meramente, simplesmente, não pensar na vida, como um boi?